Justiça e Sofrimento: palavras que revelam sentidos e significados muito mais profundos do que uma análise apenas moral conseguiria mostrar. Um adágio traduz essa inquietação: “De perto, todos somos loucos”. E se isso for verdade, conceitos que parecem ser dominados pelo senso comum merecem uma pesquisa empírico-analítica. Há prazer e sofrimento no ambiente de trabalho, familiar, mundo acadêmico, trânsito... As regras que permeiam cada uma dessas emoções existem, mas não parecem ser claras nem justas. Que relação, portanto, existe entre o sofrimento do trabalhador do comércio varejista e a percepção dele de justiça na organização? Em busca de respostas, foram construídos os objetivos do estudo. São eles: analisar a relação entre a percepção de justiça nas empresas e o sofrimento dos trabalhadores; discutir os conceitos de justiça e sofrimento no trabalho; analisar se a percepção de justiça e a vivência sofrimento são diretamente ou inversamente proporcionais; e, compreender se é possível utilizar-se de um ambiente justo para dar maior estabilidade à atuação profissional dos trabalhadores (vendedores de varejo) e reduzir o sofrimento laboral deles. As teorias escolhidas para iluminar o estudo foram a Teoria da Justiça de Rawls, por apresentar um conceito de justiça operacionalizável para o mundo empresarial, e as pesquisas sobre o sofrimento no trabalho de Dejours, por serem resultado de mais de 25 anos de estudos específicos sobre a temática. Explorando estudos sobre esses conceitos, encontraram-se pistas metodológicas que resultaram na escolha de dois instrumentos de pesquisa — de natureza quantitativa — testados, validados e consolidados em outros trabalhos científicos. A união da Escala de Percepções de Justiça de Colquitt à Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho de Mendes permitiu a coleta de valiosos dados. O tratamento e análise das informações deram indícios de que o conhecimento popular poderia estar enganado sobre a relação entre a justiça e o sofrimento. Vendedores do comércio varejista de Fortaleza foram entrevistados e deram pistas de que percebem as organizações como justas e sentem elevado nível de prazer no trabalho. Testes estatísticos mais elaborados, no entanto, mostraram que não existe correlação negativa entre a justiça e o sofrimento. Isso quer dizer que podem predominar na mente do trabalhador a percepção de um ambiente organizacional justo e uma vivência elevada de sofrimento no trabalho.
MOREIRA, Paloma Machado de. Entre a justiça e o sofrimento: um estudo sobre o comércio varejista de Fortaleza. 2007. 126 f. Dissertação de mestrado (Mestrado em Administração).Centro de Ciência Sociais Aplicadas. Universidade Estadual do Ceará. Fortaleza, 2007.
Paloma Machado de Moreira. Daniel Rodriguez de Carvalho Pinheiro (Orientador)
16/04/2008