Daniel Pinheiro, Dr
Para pensar as relações entre variáveis existem esquemas.
Para citar este texto no padrão ABNT / NBR 6023:2002, copie a referência:
PINHEIRO, Daniel Rodriguez de Carvalho.8 Verificação das relações entre variáveis: reflexões sobre a natureza do conhecimento científico. IN: Observatório da cultura / Métodos e Técnicas de Pesquisa. Disponível em: http://www.observatorio.pro.br. Acessado em 11 dez 2005.
1. Pesquisa descritiva
a) Método da concordância positiva (uma e somente uma condição em comum)
A, B, C ® y
D, E, C ® y
F, G, C ® y
Conclusão: C ® y
b) Método da concordância negativa (ausência de uma condição associada à ausência do fenômeno)
A, B, não C ® não y
D, E, não C ® não y
F, G, não C ® não y
Conclusão: C ® y
c) Método da diferença (dois casos que diferem entre si por uma circunstância)
A, B, C ® y
A, B, não C ® não y
Conclusão: C ® y
2. Pesquisa experimental
a) Plano “antes-depois”
Grupos
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antes
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depois
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Grupo experimental (GE)
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EA
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ED
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Conclusões:
Se ED = EA, a variável experimental não tem influência
ED > EA, a variável experimental influi positivamente
ED < EA, a variável experimental influi negativamente
A limitação deste plano é que ele não permite avaliar o efeito de outras variáveis que também podem influenciar o grupo experimental.
b) Plano “antes-depois com grupo de controle”
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Grupos
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Antes
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Depois
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Avaliação
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Grupo experimental
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EA
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ED
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ED – EA = RE
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Grupo de controle
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CA
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CD
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CD – CA = RC
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Conclusões:
Se RE = RC, a variável experimental não tem influência
RE > RC, a variável experimental influi positivamente
RE < RC, a variável experimental influi negativamente
c) Plano “somente depois com grupo de controle”
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Grupos
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Antes
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Depois
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Avaliação
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Grupo experimental
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-
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ED
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|
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Grupo de controle
|
-
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CD
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ED – CD
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Conclusões:
Se ED = CD, a variável experimental não tem influência
ED > CD, a variável experimental influi positivamente
ED < CD, a variável experimental influi negativamente
Neste plano não se pode ter certeza de que uma eventual diferença entre os grupos experimental e de controle seja devida ao efeito da variável experimental, porque não se conhece a situação “antes” para nenhum dos grupos.
No caso de superioridade de um dos grupos em relação ao outro, não é possível saber se essa superioridade já existia antes da introdução da variável experimental.
a) Plano “quatro grupos – seis estudos”
Este plano deve ser usado em pesquisa social, quando se suspeita que a medida “antes” possa influenciar as pessoas pesquisadas, afetando seu comportamento durante o experimento.
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Grupos |
Antes |
depois |
Avaliação |
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Grupo experimental 1 |
E1A
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E1D
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-
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Grupo experimental 2 |
-
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E2D
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E2D – E1A
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Grupo de controle 1 |
C1A
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C1D
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-
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Grupo de controle 2 |
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C2D
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C2D – C1A
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Observações:
a) Os quatro grupos devem ser homogêneos. Assim, mesmo que não se tenha tomado a medida “antes” para os grupos Experimental 2 e de Controle 2, esta medida pode ser considerada como sendo igual para todos os grupos (E1A = E2A = C1A = C2A).
b) Se a medida “antes” não tiver influenciado os entrevistados, os dois grupos experimentais deverão apresentar a mesma medida “depois”. O mesmo raciocínio também vale para os dois grupos de controle. Portanto: E1D = E2D, C1D = C2D.
c) Se a medida “antes” tiver influenciado os entrevistados, cada um dos grupos apresentará uma medida “depois” diferente. Então: E1D ¹ E2D; C1D ¹ C2D.
Avaliação da influência da variável experimental:
§ Diferença “antes-depois” nos grupos experimentais: (E2D – E1A)
§ Diferença “antes-depois” nos grupos de controle: (C2D – C1A) (são usados E2D e C2D porque estão isentos da influência da medida “antes”)
§ Diferença entre os grupos experimentais e os grupos de controle: (E2D – E1A) – (C2D – C1A)
§ Como E1A = C1A (ver obs. a), a diferença é feita apenas como E2D – C2D
Conclusões
Se não existe diferença, a variável experimental não tem influência
Se a diferença é positiva, a variável experimental tem influência positiva
Se a diferença é negativa, a variável experimental tem influência negativa
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Daniel Rodriguez de Carvalho Pinheiro
07/02/2009