Quantas crueldades foram cometidas em nome de Deus?
Muitas. E muitas outras ainda serão cometidas. Matamos Deus cinicamente. Depois de Hirochima, destruída por uma bomba atômica cujo nome era Garoto ficou quase impossível deixá-Lo ressuscitar em nossos corações.
Karen Amstrog, em Uma história de Deus, (1993), narra a morte dum “little boy” em Auchswitz, durante a Segunda Guerra Mundial.
“Um dia a Gestapo [polícia secreta de Hitler] enforcou uma criança. Até os SS [paramilitares nazista] se perturbaram com a perspectiva de enforcar um garoto diante de milhares de espectadores [...]. O menino subiu o patíbulo em silêncio, lividamente pálido e quase calmo” (2008, p. 464).
O jovem Wiesel estava encarcerado em Birkenau e foi obrigado ver o enforcamento duma criança. “Um anjo de olhos tristes”, lembra Wiesel (citado por Karen AMSTRONG, 2008, p. 464).
Vera Silveira Regert, outra estudiosa, acrescenta:
“Todos os detentos foram obrigados a desfilar e contemplar o morto”.
Wiesel transcreve, em A noite, uma breve conversa que teve com outro prisioneiro de Aucshwitz:
“Atrás de mim, ouvi o mesmo homem perguntar:
— E então, onde está Deus?
E senti em mim uma voz que lhe respondia:
— Onde Ele está? Ei-Lo — está aqui, nesta forca.
Naquela noite, a sopa tinha gosto de cadáver”. (WIESEL, citado por Vera REGERT, 2007, p. 71).
Pensando no pathos divino, pergunto-me: ainda sou capazes de deixar o menino Deus renascer em mim?
Quem está morto Deus ou o coração das mulheres e dos homens?