A produtividade do trabalho como indicador empírico da exploração Produtividade é um conceito operacional e pode ser calculada de modo simples. Ao contrário da mais-valia cujo cálculo é complicado porque presume-se que não há problemas na transformação dos valores em preços, a produtividade do trabalho ou do capital pode ser calculada de modo simples.
A exploração que está na forma de existir da mais-valia já não é tão simples de se perceber como o conceito de produtividade do trabalho. Nesse caso, a produtividade do capital é um conceito mais apropriado. Ela indicará se o excedente de trabalho foi ou não remunerado. Portanto, informará o nível de exploração da força de trabalho consumida pelo capital. Por causa disso, as variações da produtividade interessam tanto ao trabalhador como ao acionista do capital.
O consumo de mercadorias implica que ambos os sujeitos do negócio sejam proprietários: um possui dinheiro; o outro, uma mercadoria qualquer. A propriedade de dinheiro e da mercadoria foi precedida da produção do valor “V” e repartida segundo a famosa relação de distribuição dos rendimentos de Marx. Os trabalhadores receberam sua parcela do valor novo V na forma de salário. Os acionistas do capital receberam lucros. Os proprietários de terra – Marx não conheceu as modernas formas dos aluguéis como o leasing – receberam renda fundiária. E na hipótese do aumento da produtividade, todos tentarão, pelo menos em tese, obter uma cota maior na nova distribuição. Trabalhadores tentarão converter produtividade em salário. Acionistas tentarão convertê-la em lucro. Proprietários, em aluguel.
O que os agentes, em luta pelos ganhos de produtividade, podem fazer?
Daniel Rodriguez de Carvalho Pinheiro
20/12/2008