É muito comum se lê que o brasileiro é um povo “festeiro”. Há autores que chegam a afirmar mesmo que a festa ou o ato de festejar momentos importantes da vida é um elemento marcante e constitutivo do próprio modo de vida brasileiro (Del Priore, 1994).
No Brasil, as festas tendem a ser vistas como “válvulas de escape”, como mera fruição e divertimento, liberação de tensões acumuladas no cotidiano. Seria assim um fenômeno resultante das práticas de relaxamento das tensões sociais provocadas pelo poder, ou ainda, um dos processos de reordenação das relações sociais, em que ocorreria uma transgressão simbólica da ordem e permitiria a pacificação das pressões sociais, liberadas por meio de rituais (Balandier, 1997, p. 104-5).

MARTINS, Clerton. Antropologia das Coisas do Povo
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